Lapinha da Serra, MG – Time Lapse

Vídeo produzido nas montanhas de Minas Gerais, na Lapinha da Serra, local de paisagens incríveis.

 

Fotografias e Edição: Júlio Resende

Música: “Arranjo para Assobio”, por Marcos Braccini

Realização: “Bolinha de Gude: Educação para Sustentabilidade” & “10porhora: conectando sustentabilidade”;

Produção: Jabuticabeira Filmes

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Percepções da Comunidade de Bom Jardim sobre o Turismo

Todos os semestres organizo uma viagem de campo para meus estudantes do 6o semestre de administração da disciplina Gestão de Empreendimentos Turísticos. No fim do ano passado, o destino foi a vila de Bom Jardim, em Nobres – MT. O local tem um enorme potencial turístico, tendo atrativos comparados à Bonito no Mato Grosso do Sul. No entanto, a pequena vila ficou isolada por muito tempo do turismo pelas péssimas condições da estrada. Agora, o asfalto já está quase chegando. A secretaria de Estado de Turismo está anunciando altos investimentos em infra-estrutura a atividade deve alavancar. No entanto, o desenvolvimento do turismo sempre apresenta suas contradições levando impactos positivos e negativos.

O vídeo que segue é um pequeno documentário com um conjunto de entrevistas sobre as percepções de diversos atores da comunidade, entre eles, micro empresários, lideranças e outros moradores. Este vídeo foi produzido pelos estudantes com o intuito de contribuir para o desenvolvimento do turismo no local e tornar o debate transparante sobre qual tipo de turismo mais beneficiará a vila e a comunidade. Por meio dele, abrimos a sala de aula para o mundo na crença de que a universidade pode e deve contribuir com a construção de uma sociedade sustentável por meio do diálogo entre a teoria e a prática.

Elomar, Manoel de Barros e um pouquinho de física quântica

Por: Júlio Resende Duarte

Este artigo é meu presente de Natal aos meus amigos e estudantes

Gosto muito do ouvir Elomar, um violêro do Sertão. Sua música e poesia são bonitas demais. Do meu quarto, conheci a terra dos cantiguêros e suas lindas histórias. Com a luz apagada, minhas raízes imanentes eram podadas e eu me libertava daquilo que me fixava ao cotidiano e à minha própria história. Pela música do Elomar, eu viajei, voei alto pelo Sertão. Pelo dele e pelo meu Sertão. Pra dentro da patrea vea. Eu me reconheci um sertanez.

Elomar se formou arquiteto e logo se decepcionou com a profissão. Não lhe caia bem trabalhar para os ricos. O músico voltou para as barrancas do Rio Gavião para criar cabras e compor sua música. E lá ele permanece cumprindo sua vocação que é criar. Na teoria quântica, criatividade é o diálogo entre o seu self clássico e o self quântico. O primeiro é o ego, aparentemente um indivíduo no mundo, separado do resto. Já o segundo, é o inconsciente coletivo, o Eu Maior. Neste modo, há apenas uma unidade, atemporal. Todos os seres humanos tem acesso a esta modalidade quântica. Basta escolher, transcender. Leonardo Boff, na palestra que segue, nos ensina um pouco mais sobre transcendência. O nosso lado galinha é o imanente, a raiz que nos liga ao cotidiano, à matéria que nos cerca. Já o nosso lado transcendente, quântico, é nossa vocação de ser águia, de criar, de subverter, de comer a maçã, de dar um salto quântico, de vivenciar nossa modalidade onda, una, transcendente, universal.

Meditadores experientes e artistas, por exemplo, são capazes de baixar sua frequência cerebral consideravelmente. É nas frequências cerebrais mais baixas que a criatividade pipoca na sua cabeça como um processo de descontinuidade, um salto para fora do sistema, a criação do novo. A nova ideia surge como o salto quântico do elétron de uma órbita para a outra. Surge do diálogo entre nosso ego clássico e quântico. Outros métodos espirituais como a reza, a dança e o canto são formas de baixar a frequência. Alguns tipos de turismo também proporcionam este tipo de experiência, como por exemplo as viagens de bicicleta.

No ócio (criativo), na prática espiritual e na música, vivenciamos a criatividade. No entanto, as idéias são apenas possibilidades no domínio transcendente. Eles aguardam até serem materializadas. Este é o momento da prática (Amit Goswami em Criatividade Quântica). Paulo Freire nos ensinou a importância da Práxis: relação dialógica da reflexão e da prática. Este conceito é também parecido com Águia e a Galinha, Yin e Yang. É também semelhante à filosofia de vida de alguns baianos e outros cuiabanos. É muito importante trabalhar, mas é mais importante trabalhar pouco. Excelente receita para o diálogo entre os modos clássico e quântico. O Cuiabano, por exemplo, produz e senta na cadeira de balanço, produz e pesca, produz e joga bola, produz e canta o siriri. E pensar que aqueles outros habitantes do Mato Grosso que são impregnados pela lógica da produção, trabalho e consumo excessivo chamam a cultura tradicional da baixada cuiabana de preguiçosa. A cultura do progresso é baseada na física clássica e precisa se atualizar pois suas leis não se aplicam ao mundo subatômico. Sugiro também aos progressistas (econômicos) que atualizem sua física!

Da mesma forma que viajei pelo Sertão, vivenciei o pantanal de Manoel de Barros. O poeta, pantaneiro mato grossensse, é um legítimo representante desta linda cultura. Sua contribuição para o mundo é uma poesia que emociona e provoca no leitor o surgimento do novo. Ele escreveu: tudo que não invento é falso. A criatividade o faz cumprir a vocação humana que é criar e contribuir com o coletivo. Materializar o propósito universal. No documentário ‘Só dez por cento é mentira’, o poeta alega que os outros noventa porcento são criação. Este é um perfeito exemplo de quem faz um diálogo intenso entre seu modo imanente e transcendente. Aquilo que é condicionado ao passado em sua poesia é mentira, é apenas imanente. O resto é a verdade, pois é a criatividade, um salto quântico, é quando a verdade universal e atemporal desabrocha no poeta.

É exatamente este o caso do Elomar. Ele vive no Sertão, onde tem raízes profundas e imanentes. No entanto, materializa sua linda música ao transcender na mente. No documentário Sertanias, o músico diz que só escreveu apenas dez por cento do que já compôs na sua cabeça. E olha que ele já produziu algumas dezenas de óperas sertânicas. Notem que ambos se dedicam integralmente às suas vocações. Eles sairam da caverna de Platão, romperam com a inércia do ‘eguinho’ e se dedicam ao diálogo com o ‘egão’. A filosofia de vida destes dois nos ensina muito sobre espiritualidade, que pode ser compreendida também como o desenvolvimento pleno do potencial humano. O violêro sertanez se tornou música e o poeta panteiro árvore. E você, já experimentou criatividade? Já experimentou o potencial infinito de sua modalidade águia? Fique à vontade se quiser tentar e saiba que corre o risco de ser feliz.

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Pedaladas em Pequim

Alberto Cantídio, o betinho, é um grande amigo que hoje mora em Pequim na China. Além do seu humor refinadíssimo, de suas maravilhosas experiências mundo afora, seu companheirismo, ele é Acupunturista da melhor qualidade. Agora, ele está vivendo na China por um ano sendo aprendiz de um grande acupunturista chinês. Ele vive em um bairro histórico da cidade e pedala por toda parte. Seu blog está recheado de belas histórias e vale a leitura. Segue o link de um artigo sobre suas pedaladas por Beijing.

http://www.acupunturachinesa.com.br