Lapinha da Serra, MG – Time Lapse

Vídeo produzido nas montanhas de Minas Gerais, na Lapinha da Serra, local de paisagens incríveis.

 

Fotografias e Edição: Júlio Resende

Música: “Arranjo para Assobio”, por Marcos Braccini

Realização: “Bolinha de Gude: Educação para Sustentabilidade” & “10porhora: conectando sustentabilidade”;

Produção: Jabuticabeira Filmes

“Criatividade é o maior potencial humano”

Ken Robinson, além de muito engraçado, foi aplaudido de pé no TED que segue. Com muito humor reflete sobre a criatividade humana, potencial que pode e precisa ser desenvolvido em larga escala neste século, mas que ainda encontra muitas barreiras, principalmente nas escolas, que insistem uniformizar e diminuir a capacidade dos estudantes.

Elomar, Manoel de Barros e um pouquinho de física quântica

Por: Júlio Resende Duarte

Este artigo é meu presente de Natal aos meus amigos e estudantes

Gosto muito do ouvir Elomar, um violêro do Sertão. Sua música e poesia são bonitas demais. Do meu quarto, conheci a terra dos cantiguêros e suas lindas histórias. Com a luz apagada, minhas raízes imanentes eram podadas e eu me libertava daquilo que me fixava ao cotidiano e à minha própria história. Pela música do Elomar, eu viajei, voei alto pelo Sertão. Pelo dele e pelo meu Sertão. Pra dentro da patrea vea. Eu me reconheci um sertanez.

Elomar se formou arquiteto e logo se decepcionou com a profissão. Não lhe caia bem trabalhar para os ricos. O músico voltou para as barrancas do Rio Gavião para criar cabras e compor sua música. E lá ele permanece cumprindo sua vocação que é criar. Na teoria quântica, criatividade é o diálogo entre o seu self clássico e o self quântico. O primeiro é o ego, aparentemente um indivíduo no mundo, separado do resto. Já o segundo, é o inconsciente coletivo, o Eu Maior. Neste modo, há apenas uma unidade, atemporal. Todos os seres humanos tem acesso a esta modalidade quântica. Basta escolher, transcender. Leonardo Boff, na palestra que segue, nos ensina um pouco mais sobre transcendência. O nosso lado galinha é o imanente, a raiz que nos liga ao cotidiano, à matéria que nos cerca. Já o nosso lado transcendente, quântico, é nossa vocação de ser águia, de criar, de subverter, de comer a maçã, de dar um salto quântico, de vivenciar nossa modalidade onda, una, transcendente, universal.

Meditadores experientes e artistas, por exemplo, são capazes de baixar sua frequência cerebral consideravelmente. É nas frequências cerebrais mais baixas que a criatividade pipoca na sua cabeça como um processo de descontinuidade, um salto para fora do sistema, a criação do novo. A nova ideia surge como o salto quântico do elétron de uma órbita para a outra. Surge do diálogo entre nosso ego clássico e quântico. Outros métodos espirituais como a reza, a dança e o canto são formas de baixar a frequência. Alguns tipos de turismo também proporcionam este tipo de experiência, como por exemplo as viagens de bicicleta.

No ócio (criativo), na prática espiritual e na música, vivenciamos a criatividade. No entanto, as idéias são apenas possibilidades no domínio transcendente. Eles aguardam até serem materializadas. Este é o momento da prática (Amit Goswami em Criatividade Quântica). Paulo Freire nos ensinou a importância da Práxis: relação dialógica da reflexão e da prática. Este conceito é também parecido com Águia e a Galinha, Yin e Yang. É também semelhante à filosofia de vida de alguns baianos e outros cuiabanos. É muito importante trabalhar, mas é mais importante trabalhar pouco. Excelente receita para o diálogo entre os modos clássico e quântico. O Cuiabano, por exemplo, produz e senta na cadeira de balanço, produz e pesca, produz e joga bola, produz e canta o siriri. E pensar que aqueles outros habitantes do Mato Grosso que são impregnados pela lógica da produção, trabalho e consumo excessivo chamam a cultura tradicional da baixada cuiabana de preguiçosa. A cultura do progresso é baseada na física clássica e precisa se atualizar pois suas leis não se aplicam ao mundo subatômico. Sugiro também aos progressistas (econômicos) que atualizem sua física!

Da mesma forma que viajei pelo Sertão, vivenciei o pantanal de Manoel de Barros. O poeta, pantaneiro mato grossensse, é um legítimo representante desta linda cultura. Sua contribuição para o mundo é uma poesia que emociona e provoca no leitor o surgimento do novo. Ele escreveu: tudo que não invento é falso. A criatividade o faz cumprir a vocação humana que é criar e contribuir com o coletivo. Materializar o propósito universal. No documentário ‘Só dez por cento é mentira’, o poeta alega que os outros noventa porcento são criação. Este é um perfeito exemplo de quem faz um diálogo intenso entre seu modo imanente e transcendente. Aquilo que é condicionado ao passado em sua poesia é mentira, é apenas imanente. O resto é a verdade, pois é a criatividade, um salto quântico, é quando a verdade universal e atemporal desabrocha no poeta.

É exatamente este o caso do Elomar. Ele vive no Sertão, onde tem raízes profundas e imanentes. No entanto, materializa sua linda música ao transcender na mente. No documentário Sertanias, o músico diz que só escreveu apenas dez por cento do que já compôs na sua cabeça. E olha que ele já produziu algumas dezenas de óperas sertânicas. Notem que ambos se dedicam integralmente às suas vocações. Eles sairam da caverna de Platão, romperam com a inércia do ‘eguinho’ e se dedicam ao diálogo com o ‘egão’. A filosofia de vida destes dois nos ensina muito sobre espiritualidade, que pode ser compreendida também como o desenvolvimento pleno do potencial humano. O violêro sertanez se tornou música e o poeta panteiro árvore. E você, já experimentou criatividade? Já experimentou o potencial infinito de sua modalidade águia? Fique à vontade se quiser tentar e saiba que corre o risco de ser feliz.

Outros artigos sobre física quântica

A vida nas montanhas

Fotos: Thiago Foresti

Dizem que Minas é terra de muitos artistas. Uma antiga teoria local diz que isto se deve ao fato de que lá as pessoas passam suas vidas cercadas por montanhas, que enclausuram sentimentos. A vida é mais introspectiva. O mineiro vive em torno de um violão, em um bar ou em uma cozinha, com a família ou com os amigos. O mineiro conversa muito e adora uma roda de gente. As montanhas reúnem pessoas, que contam caso, e como contam. Por outro lado, as mesmas montanhas que aproximam o horizonte, também proporcionam um belo horizonte. Os topos de serras são excelentes para a filosofia de cada dia. Do alto das montanhas, onde o vento é frio, é possível enxergar longe e ver as cidades lá em baixo no vale e o riozinho que vem da outra direção. Ora você está cercado por serras, ora você esta lá no alto vendo todo aquele mundão de Deus. De um lugar, enxerga-se o outro, mas de ângulos diferentes. De baixo, o sol se põe mais cedo e, do alto, as cidades parecem maquetes vivas. A vida introspectiva do mineiro é também plena em belos horizontes.

Fotos: Thiago Foresti

Imagine: intuição para a sustentabilidade

Publicado em www.dezporhora.org

Diplomacy is the civilized alternative to war.
When a diplomat is killed in service, on duty.
Civilization collapses.
Let’s pay our tribute to Sergio Vieira de Melo
and his companions, victimized in their service for peace.

 

Assim Gilberto Gil emocionou a plenário da ONU cantando a música Imagine, de John Lennon. O motivo foi a morte do diplomata brasileiro Sergio Vieira Melo no ano de 2003, em Bagdá. Segundo o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ele era “a pessoa certa para resolver qualquer problema”.

Na apresentação da música, Gil anunciou aos líderes planetários o colapso de uma civilização. Isto também é que o que diz o físico quântico Fritjof Capra em seu espetacular livro: “O Ponto de Mutação”. O argumento central é que o nosso modelo de sociedade globalizada dos últimos trezentos anos está se esfacelando. Este decadente paradigma compreende o mundo como uma máquina. Um universo composto por pequenas peças que, como legos, se encaixam por meio de engrenagens e dão movimento às galaxias. A sobrevalorização do racional levou à dominação dos homens sobre as mulheres, das empresas sobre as outras instituições, dos ricos sobre os pobres, da razão sobre intuição, da ciência sobre a religião. Segundo Leonardo Boff, esta visão nos levou à maior encruzilhada da história da aventura humana: ou construímos uma nova forma de nos relacionarmos com nós mesmos e a nossa casa terra, ou nos extinguiremos precocemente do processo evolutivo do universo.

No entanto, há algumas décadas somos uma sociedade em ebulição. A física quântica, o holismo oriental, o pensamento complexo, a tecnologia, as crises ambientais e sociais, tudo isso está modificando a nossa forma de ver o mundo. Trata-se de uma mudança parecida com a vivenciada pelos Europeus há alguns séculos quando deixaram de acreditar em uma terra quadrada para descobri-la redonda. As mulheres estão conquistando espaço em todos os seguimentos da sociedade, a escola tradicional e repressora está ameaçada pela poderosa educação colaborativa da internet, as empresas podem deixar de existir porque estão surgindo outras formas de produção mais colaborativas, a medicina holística ganhando espaço, as pessoas estão buscando cada vez mais as religiões, os países estão gradualmente aumentando a ainda tímida democracia participativa…

O que chamou muita minha atenção foi quando, depois de ler ponto de mutação, ouvi Imagine outra vez. John Lennon imaginou intuitivamente uma sociedade da paz, do equilíbrio, da justiça, do amor, da democracia, do diálogo e da diversidade. Para a física quântica, todos os seres são capazes de acessar o futuro e o consciente coletivo por meio do conhecimento intuitivo. Uns o fazem pela reza, outras pela meditação, outros pelas danças… John o fez por meio de sua música.