Não havia luta do bem contra o mal

Nas últimas eleições presidenciais, Aécio foi o mais votado no Mato Grosso. Muitos amigos, colegas e conhecidos de lá achavam que ele era um super herói gestor de Estado moderno e eficiente. Eu tentei alertá-los de que não era bem assim por conhecê-lo desde os tempos de Minas Gerais. De fato, seu histórico era muito pouco conhecido nacionalmente, para além das montanhas. Fui duramente criticado por votar em Dilma, mesmo tendo justificado que meu voto era na canditada menos ruim. Na época, eu disse com alguma coragem que era melhor votar no “Rouba, mas faz social” do que no “Rouba, mas faz empresarial”. Eu argumentei que os canditados se igualavam no que tinham de pior e se diferenciavam no que tinham de melhor. Em outras palavras, se igualavam na corrupção, mas se diferenciavam na prioridade. Minha opção era, portanto, por quem dava alguma prioridade a mais pelas conquistas sociais. Como se vê, posicionar é sempre muito difícil, mas é fundamental porque aqueles que não o fazem são apenas arrastados pelas maiorias. As constatações da corrupção de Aécio desta semana confirmaram que nossos votos estavam todos sujos. Portanto, vale reiterar agora que não havia uma luta do bem contra o mal ou honestos contra corruptos. Todos aqueles que baseram seus votos nestes argumentos estão sendo obrigados, neste momento, a reconhecer sua inocência e analfabetismo político. O contexto era e continua sendo mais complexo do que essa dualidade apresentada, o que nos exige cada vez maior consciência política e maior necessidade de engajamento e participação. Só podemos sair melhor desta.

 

Publicado em 18 de maio de 2017

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