Obsolescência Programada de Gerações

Por: Thiago Foresti

Antigamente geração era coisa do mundo dos vivos… vivo eu digo de gente, não VIVO de operadora. Aliás, é justamente isso que virou a palavra geração: coisa de operadora. Tanto é que quando se fala da geração atual (de vivos, não de VIVOS) parece que estamos falando é de modelo de celular: Geração X, geração Y, Geração Z, com todos os rótulos, preços e manuais de instrução na caixa.

No começo nossa tecnologia tinha a vida de um cachorrinho, você convivia bastante tempo com os aparelhos; alguns até davam comida pra Tamagoshis e se apegavam ao aparelho de som Gradiente. O fato é que Ataris, geladeiras vermelhas, calculadoras HP, Vitrolas, fuscas, tudo isso vivia mais tempo.

Mas aí os marqueteiros começaram a falar de gerações e elas foram ficando mais curtas, mais passageiras, mais descartáveis.

Hoje em dia todo mundo já sabe do problema com os eletrônicos. A internet já escancarou a loucura toda. Já sabemos que todo esse modelo de produtos descartáveis foi criado por um pequeno grupo de pensadores de marketing de vendas lá dos Estados Unidos há alguns anos atrás. A coisa está tão clara e transparente que já existe até um nome para isso: Obsolescência Programada. E tem até artigo na Wikipedia. E em várias línguas.

E agora a gente está aí, tentando resolver o problema, criando leis, dando um jeitinho inglês e vez ou outra entrando em desespero.

Mas o que pouca gente percebeu é que as gerações de humanos também passaram a ser cada vez mais rápidas e descartáveis. Dia desses descobri que já foi lançada a geração Z… Geração Z?!?! Até pouco tempo atrás eu estava dentro da geração Y e era o que havia de mais moderno! De repente sou um modelo obsoleto, pois a nova geração já nasce com aplicativos de teclar em celulares e Ipads.

Antigamente quem analisava gerações eram os historiadores, não marqueteiros. Acho que não devíamos deixar esses marqueteiros colocarem as mãos na gestão e analise de gerações. Olha o que esses caras fizeram com a geração de VIVOS. Esse negócio de X, Y, Z, é até legalzinho, mas gerações de vivos são muito mais complicadas. São anos de tradições, culturas, costumes, ideias. Classificar gerações pode ser legal para vender mais tênis, mas não serve para descrever as motivações, os embates e as dúvidas que assolam o ser humano. Muito menos para justificar erros e acertos. Cada geração é um amontoado de passado borbulhando no presente. Não dá pra separar.

Aqui em Mato Grosso existem muitas “gerações não catalogadas”, que continuam pulsando como o motor de velhas geladeiras vermelhas em uma cadeira de balanço no Pantanal, ou numa rede na Amazônia.

Gerações que olham esses vivos 3G, Y e Z voarem nas vitrines como borboletas de vida curta. Efêmeras…

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