Sustentabilidade, Espiritualidade e Física Quântica – parte 6

Por: Júlio Resende Duarte

Deus Ele x Deus Eu Maior

Descartes, como já disse anteriormente, defendeu a separação dualista entre corpo e mente. Tudo que fosse referente à matéria seria de responsabilidade da ciência e tudo que fosse relacionado à mente, alma e espiritualidade continuaria a ser da alçada da religião. Desta forma, a poderosa Igreja daria mais espaço para que os cientistas trabalhassem sem a forte repressão normalmente exercida. Esta cisão representou um emancipação do conhecimento racional-analítico e a ciência bateu asas.

Em princípio, a Igreja continuou a ser o paradigma hegemônico por causa de sua tradição. Aos poucos, as descobertas científicas trouxeram novos informações à sociedade que começou a questionar a religião. A visão de um mundo máquina feito de matéria e governado por leis determinísticas foi substituindo a visão de um mundo Deus. Darwin mesmo passou por uma forte crise de identidade quando construiu sua teoria, pois, à época, achava que a partir dela não precisaria mais de Deus para explicar a vida.

Nos últimos trezentos anos, a ciência foi desenvolvida ao ponto de ser intitulada como o único caminho à verdade, relegando os conhecimentos espirituais a um segundo plano. De fato, após esta cisão, a ciência avançou muito e hoje temos um legado extremamente rico deste desenvolvimento científico. A partir deste alicerce de um mundo feito de matéria, o capitalismo foi erguido e se tornou o modelo de produção dominante. Em resumo, foi assim que chegamos hoje ao dualismo realista, ou seja, tudo que há é feito de matéria e o universo funciona pela interação entre a matéria.

Este paradigma se tornou tão hegemônico que até mesmo algumas religiões, como diversas tradições ocidentais, passaram a compreender o mundo desta forma dualística. Deus está lá no céu, separado dos humanos e da terra. Deus se encontra no domínio transcendente e as pessoas no imanente. Ele nos criou, mas agora só caminha ao lado de quem segue determinados dogmas e métodos religiosos. Ele se afasta dos que seguem o caminho do mal.

Agora faço um pergunta que não deve respondê-la prontamente, pois é provável que a interpretaria dualisticamente: É possível separar transcendente e imanente, bem e mal, céu e terra, caos e criação? A interpretação feita pelas tradições espirituais orientais e pela física quântica é monística, ou seja, o universo é uma coisa só. Estas dimensões fazem parte da mesma realidade. O princípio da dualidade é bem claro: tudo no universo é ao mesmo tempo onda e partícula, transcendente e imanente, yin e yang. Por meio desta antiga-nova interpretação, Deus não está lá, Deus é a soma de tudo e algo mais que ainda não temos ideia. Por isso, a espiritualidade moderna caminha para ideia do Deus Eu Maior (documentário recomendado).

Sugiro agora um saudável exercício que pode gerar crescimento: interpretar o cristianismo e a Bíblia primeiramente por meio da filosofia dualística e depois pelo monismo. Hoje, é mais comum fazê-lo pelo dualismo. Mas lembre-se: o realismo dualista é fruto da ciência materialista, que a física quântica está provando ser uma visão de mundo parcialmente errada. O desafio maior é fazê-lo pelo monismo. Reflita sobre o ensinamento Deus está dentro de tudo. Agora compare com a postulação de Amit: matéria é feita de consciência. Repare também que a trindade, que hoje é um mistério para a compreensão da maioria, passará a fazer muito sentido. Pai, onda transcendente, e filho, matéria imanente, interagem dinamicamente, espírito santo. Juntos, formam Deus, fazendo o universo funcionar.

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