A essencial contribuição do consumidor para a construção da sustentabilidade

[VIII]


Quando assisti ao vídeo História das Coisas (abaixo) pela primeira vez senti que seus autores tinham feito algo especial. De fato, eles realizaram uma grande contribuição para a sustentabilidade. Eles condensaram uma grande quantidade de conhecimentos em 20 minutos de vídeo e conseguiram explicar a história das coisas ao longo das cadeias produtivas. Sua principal mensagem é endereçada a nós, consumidores. O argumento é que no modelo atual de desenvolvimento econômico as cadeias produtivas são violentas quando: exploram os recursos naturais e deixam debilitados os ecossistemas; quando exploram pessoas, pagando-as pouco; quando transformam a mídia em canal publicitário e invadem nossa privacidade com milhares de anúncios por dia; quando não conseguem dar destinação adequada ao lixo.

O x da questão é que o consumidor quando compra legitima a violência da cadeia produtiva daquele determinado produto. Isto significa dizer que quando compramos um sapato nos tornamos co-responsáveis por colocá-lo no mundo, em conjunto com o criador de boi, o fornecedor de couro, o transporte e a logística, a comercialização e a venda. Se os trabalhadores tem péssimas condições de trabalho, somos co-responsáveis. Se houver derrubada de árvore para a criação dos bois e se os produtos são transportados por distâncias grandes, também somos co-responsáveis.

O alface, quando produzido longe do local de consumo, tem uma pegada ecológica grande, pois o transporte implica em alta emissão de gás carbônico. Se é produzido com agrotóxico significa que os trabalhadores que aplicaram correm o risco de desenvolver doença, que o solo do local foi contaminado, que os rios foram poluídos. Isto tudo sem contar a nossa própria saúde.

Quando bebemos água em um copo de plástico e o descartamos em trinta segundos nós somos co-responsáveis pela extração do petróleo e a guerra do Iraque, pelo transporte, pela produção, pela comercialização e pelo lixo gerado, um problema ambiental de centenas de anos. Por conta de 20 segundos exploramos pessoas, ecossistemas e causamos um problema de mais de cem anos. Do ponto de vista do atual modelo econômico, o consumo do copo plástico contribui para o crescimento das economias e das empresas. Quando um chocolate ganha uma nova embalagem adicional aumenta a demanda por embalagens, podendo ocasionar até o surgimento de novas empresas. No entanto, é esta lógica que está exigindo muito da bolinha de gude.

Mas, então como ser um consumidor responsável? Algumas soluções são simples. Podemos plantar alface em pequenos vasos e ter nossa própria produção. Em prédios, podemos ter uma horta comunitária. Na rua onde moro, há quatro mangueiras, três pés de acerola e um de carambola. Todos os vizinhos consomem frutas sem agrotóxico e sem pegada ecológica. Imaginem se todos os quarteirões do mundo tiverem 10 árvores frutíferas. Não precisaremos ter fazendas de laranja, maçã ou goiaba e não gastaremos energia com transporte. Do ponto de vista do modelo atual de desenvolvimento econômico, é uma heresia defender isto, pois o PIB decresceria e algumas empresas fechariam. Mas do ponto de vista de uma possível sustentabilidade, as pessoas teriam acesso a frutas saudáveis, sem proporcionar danos à bolinha de gude.  Talvez, na sustentabilidade os supérfluos terão que ser eliminados. Teremos menos embalagens, os alimentos serão produzidos mais perto de nossas casas e sem agrotóxicos e nos locomoveremos por transporte público e bicicletas.

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