A sustentabilidade é ‘open source’

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Descobri recentemente um movimento que há na internet que promove o desenvolvimento de programas de computador (software) que sejam de livre distribuição. Despertei para o potencial destes programas em uma bela palestra do Professor Luli Radfahrer sobre educação, tecnologia e escola do século 21 (link abaixo). Tratam-se de programas que devem ser distribuídos livremente pela internet e que, por serem de código aberto, podem receber a contribuição de todos que desejarem melhorá-los. Programas como o Linux, Firefox e Open Office podem ser desenvolvidos pelos milhões de usuários da net. Refleti que as empresas, em um certo futuro, poderão não ter como competir, apenas com seus poucos qualificados funcionários, com os milhões de usuários da rede mundial de computadores e seu potencial criativo, aliado à enorme vontade de contribuir.

Pois bem, a sustentabilidade também é open source. Diante dos argumentos em construção e da enfermidade da sociedade e da bolinha de gude, muita gente, mundo afora, tem buscado alternativas para o futuro da terra e de sua comunidade de vida. A sustentabilidade, ao contrário do que muita gente pensa, não é mais um modelo de organização de sociedades como o capitalismo e o comunismo. Não se trata de algo construído por determinados grupos de pessoas, mas sim um novo entendimento que está surgindo dentro das pessoas, pois estão compreendendo a necessidade de construir um novo futuro. A sustentabilidade é uma idéia-força, como argumenta Moacir Gadotti em Pedagogia da Terra. É uma cultura que está sendo construída tendo como norte um profundo respeito às pessoas, à bolinha de gude e todas as formas de vida. Ela está sendo construída de baixo para cima, de dentro dos corações para o mundo. Leonardo Boff enfatiza a importância de termos consciência de que a Carta da Terra é uma importante contribuição à sustentabilidade, mas representa apenas uma proposta. O grande desafio agora é construí-la nas nossas práticas diárias.

Se hoje temos argumentos maduros que nos mostram que precisamos mudar, se aos poucos chegamos a consensos sobre um norte a ser perseguido pela humanidade, nos resta agora construir o caminho para este futuro. O fato é que as pessoas já começaram a construí-lo: arquitetos estão trabalhando em prol do desenvolvimento de cidades e prédios mais integrados ao ambiente, pedagogos discutem a pedagogia da terra, turismólogos trabalham em prol de um turismo sustentável, químicos desenvolvem produtos de limpeza não-tóxicos, engenheiros criam inteligentes cata-ventos, geógrafos pensam um melhor relacionamento com espaço, jornalistas debatem o tema com a população, até políticos começam a pensar em políticas verdes. É claro que as contribuições não estão apenas relacionadas às profissões ou organizações. Pessoas do mundo inteiro, de todo tipo, estão contribuindo trocando o detergente por sabão de coco, comprando verduras orgânicas, utilizando a bicicleta como meio de transporte, dando destino correto ao lixo, reduzindo o consumo, etc.

A sustentabilidade é uma idéia-força, é uma proposta alternativa global a ser construída. Sob a referência deste norte, a sustentabilidade é open source e está recebendo a contribuição de muitas pessoas. O mesmo potencial coolaborativo e criativo que está sendo aplicado aos softwares open source poderá ser, no futuro, aplicado à construção deste novo possível relacionamento entre todos os seres vivos.

“Os graves problemas socioambientais e as críticas ao modelo de desenvolvimento foram gerando na sociedade maior consciência ecológica nas últimas décadas. Embora essa consciência não tenha ainda provocada mudanças significativas no modelo econômico e nos rumos das políticas governamentais, algumas experiências concretas apontam para uma crescente sociedade sustentável em marcha.” (Moacir Gadotti em Pedagogia da Terra)

Luli Radfahrer – Palestra “Para que serve um monocotiledônia?” http://videolog.uol.com.br/video.php?id=389425 )

– Júlio Resende –

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