Feeds:
Posts
Comentários

[VII]

Nós estamos excessivamente pressionados em nosso cotidiano. Sofremos as conseqüências do excesso de trabalho que nos submetemos. Prova disso é a sensação esquisita que sentimos nos domingos à noite: uma tristeza, misturada com ansiedade, com saudade da sexta, que não passa facilmente. Na segunda feira, é comum, ao encontrar um conhecido, ser assim saudado: segunda feira brava, hein!? Por outro lado, a sexta feira é uma explosão de alegria. São dois dias pela frente com vivências completamente diferentes do dia-a-dia de trabalho. No lazer, o compromisso com horários e regras é bem menor. É hora de relaxar, se divertir, encontrar os amigos, passear, comer bastante, ver futebol, tomar cerveja (Esta lista é pessoal e intransferível). Vivemos cinco dias pressionados e relaxamos em um e meio. Semelhante acontecimento é o nosso ano corporativo. Trabalhamos com afinco durante onze meses para, enfim, ter descanso. É comum as pessoas dizerem que trabalham o ano todo para tirar férias. O turismo hoje é o hospital da humanidade. Trata-se do momento em que as pessoas restauram suas forças e energias, dedicadas à produção do ano anterior, para alcançarem metas mais arrojadas no próximo.

A cidade turística, conhecendo seu papel de proporcionar bem estar aos seus visitantes, se esforça no sentido de tornar a experiência das pessoas mais alegres e prazerosas. Os calçadões são bons exemplos disso. Eles são construídos para criar um ambiente amigável aos turistas e têm restaurantes, lojas, entretenimentos e canteiros de flores. Neles, todos caminham com tranqüilidade, ouvem música, conversam. Ali, não há contato com a violência do trânsito e nem com outras formas de violência. Estes locais são geralmente altamente policiados. Tudo isto para proporcionar bem estar aos turistas. Os municípios turísticos se especializam como um espaço para a ‘felicidade’.

Perguntas: Por que não transformamos as cidades em que vivemos neste tipo de ambiente? Por que não temos calçadões da alegria, mais áreas verdes e música nas ruas? Vale a pena desapegar de cinco dias de cada semana da nossa vida para gozar um e meio? Vale apenar abdicar de onze meses para extravasar em um? O ideal não seria dedicarmos todos os dias em prol da alegria de viver? Por que não dedicamos todos os meses para a qualidade de vida?

No livro Sociologia do Turismo, Krippendorf analisa estas características do turismo e nos convida a construir um cotidiano do bem estar, da alegria, do tempo com a família e do respeito ao próximo. O local onde moramos também pode ser assim. Não me parece mesmo muito racional passar onze meses a base de anti-depressivo e ansiolítico, sendo que o primeiro ajuda a suportar as dificuldade do dia-a-dia e o segundo serve para diminuir a ansiedade, que é a palavra para explicar quando as pessoas estão vivendo o agora com a cabeça no futuro.

Na sustentabilidade, se ela for construída por nós, trabalharemos bem menos, mas com muito mais qualidade. Qual qualidade? Trabalharemos para garantir a dignidade humana e não para as economias crescerem. Trabalharemos parar tornar nossa relação com o entorno cada vez mais responsável. A saúde da bolinha de gude é a nossa saúde. Trabalharemos pelo prazer de trabalhar, de contribuir para assuntos comunitários. Trabalharemos com toda nossa criatividade para encontrar soluções holísticas e criativas para problemas complexos. Dedicaremos mais ao lazer, às artes, à convivência humana. Seremos satisfeitos por nos surpreendermos diariamente com as belezas que estão no nosso entorno. Redescobriremos a magia das montanhas e das planícies; dos besouros e das libélulas; das árvores e dos rios; da chuva e da neblina; do som da chuva na mata; do banho de rio gelado; do cheiro das flores; do vento que esfria; da textura das frutas e dos picolés de frutas; dos sons do cerrado; da escuridão em dia de lua nova; da via láctea no céu. Cada dia é completamente diferente do outro. Milhões de possibilidades se combinam continuamente e nos proporcionam experiências sempre únicas. Na sustentabilidade, teremos tempo de ouvir, cheirar, degustar e sentir o mundo.

…Isso tudo sem falar sobre a riqueza cultural da humanidade, que encanta por meio de músicas, prédios, danças, línguas, roupas, costumes, comidas, sotaques…

- Júlio Resende -

[VI]

Tenho orgulho de ser filho de mãe e pai que não concordaram com a ditadura militar. Eles fizeram parte da geração de 1960 e trabalharam em função da construção de uma proposta alternativa ao capitalismo. Eles compreenderam que esta forma de organizar as sociedades não nos levaria a um desejado equilíbrio social e que era necessário pensar outros caminhos. Por meio de sua dedicação, eles buscavam justiça social, educação de qualidade, verdadeira participação da população nos rumos da sociedade, paz, acesso à saúde, direito à liberdade de expressão.

Com sua reflexão e prática em suas profissões, nos sindicatos, nas universidades, nos partidos políticos, nas artes, na educação de seus filhos, nas comunidades rurais, eles contribuíram para fortalecer argumentos que denunciavam algumas contradições do capitalismo como a desigualdade, o desequilíbrio social, a pobreza generalizada e a censura da palavra.

Hoje, noto neles e em seus amigos de luta, quando se reúnem para beber cerveja e contar casos, um forte pessimismo, como se eles estivessem perdido a batalha. De fato, é perfeitamente compreensível que pessoas se sintam derrotadas após terem dedicado suas energias durante 40 anos para construir outra realidade e que, ao se depararem com a aposentadoria, viram o capitalismo se tornar cada vez mais fortalecido. Não deve ser nada fácil dedicar a vida em função de um projeto de sociedade e sentir que ele está mais distante do que quando começou sua luta.

Além do aumento do desequilíbrio social, de lá para cá, a bolinha de gude se tornou um lugar insalubre à vida. Os problemas ambientais se agravaram e, hoje, assustam as pessoas. Aparentemente, a luta da geração de 2000, relacionada à construção de um ambiente com qualidade para a vida, também tem encontrado muitas dificuldades para produzir mudanças estruturais. Mas será que as duas gerações falharam? Por outro ponto de vista, é possível entender que elas estão construindo fortes argumentos que poderão ser cada vez mais difíceis de serem justificados pela lógica do crescimento econômico. Seus argumentos mostraram as duas piores conseqüências do capitalismo: a injustiça social e o desequilíbrio ambiental.

Neste momento, os dois argumentos estão se conectando e é a partir deste novo entendimento que as pessoas estão conseguindo cooperar e construir uma outra realidade: a sustentabilidade.  No sensacional livro “Ecologia: grito da terra, grito dos pobres”, Leonardo Boff nos abre a percepção para a relação entre os problemas sociais e ambientais. Ambos são conseqüências do capitalismo e, porém, complementares.  Somados, eles estão colocando o capitalismo em check. Cada vez mais pessoas compartilham a opinião de que é preciso construir um outro futuro. No entanto, é importante ressaltar que o capitalismo está apenas em check, mas não em checkmate. Ele pode se renovar e criar espaço para sua continuidade. O problema é que se for mantida sua lógica aumentam, cada vez mais, as chances do desaparecimento precoce da vida humana e de outras formas de vida. Neste contexto, as lutas das gerações de 1960 e 2000 estão conectando e podem proporcionar o checkmate do capitalismo.

Digamos então que a esquerda social da década de 1960 deu o check no capitalismo e a esquerda verde da geração de 2000 está possibilitando o checkmate. Se fosse um jogo de xadrez, a primeira poderia ser um cavalo e uma torre que encurralaram o rei e a segunda poderia ser o bispo que faltava para fechar a diagonal.

A minha mãe e ao meu pai, que fizeram parte da geração de 60 e se dedicaram para construir um mundo melhor.

[...]

Mas eu insisto
E quem quiser que me compreenda
Até que alguma luz acenda, este meu canto continua
Junto meu canto a cada pranto, a cada choro,
Até que alguém me faça coro pra cantar na rua

[...]

Um chorinho – Chico Buarque

 

- Júlio Resende -

[V]

Descobri recentemente um movimento que há na internet que promove o desenvolvimento de programas de computador (software) que sejam de livre distribuição. Despertei para o potencial destes programas em uma bela palestra do Professor Luli Radfahrer sobre educação, tecnologia e escola do século 21 (link abaixo). Tratam-se de programas que devem ser distribuídos livremente pela internet e que, por serem de código aberto, podem receber a contribuição de todos que desejarem melhorá-los. Programas como o Linux, Firefox e Open Office podem ser desenvolvidos pelos milhões de usuários da net. Refleti que as empresas, em um certo futuro, poderão não ter como competir, apenas com seus poucos qualificados funcionários, com os milhões de usuários da rede mundial de computadores e seu potencial criativo, aliado à enorme vontade de contribuir.

Pois bem, a sustentabilidade também é open source. Diante dos argumentos em construção e da enfermidade da sociedade e da bolinha de gude, muita gente, mundo afora, tem buscado alternativas para o futuro da terra e de sua comunidade de vida. A sustentabilidade, ao contrário do que muita gente pensa, não é mais um modelo de organização de sociedades como o capitalismo e o comunismo. Não se trata de algo construído por determinados grupos de pessoas, mas sim um novo entendimento que está surgindo dentro das pessoas, pois estão compreendendo a necessidade de construir um novo futuro. A sustentabilidade é uma idéia-força, como argumenta Moacir Gadotti em Pedagogia da Terra. É uma cultura que está sendo construída tendo como norte um profundo respeito às pessoas, à bolinha de gude e todas as formas de vida. Ela está sendo construída de baixo para cima, de dentro dos corações para o mundo. Leonardo Boff enfatiza a importância de termos consciência de que a Carta da Terra é uma importante contribuição à sustentabilidade, mas representa apenas uma proposta. O grande desafio agora é construí-la nas nossas práticas diárias.

Se hoje temos argumentos maduros que nos mostram que precisamos mudar, se aos poucos chegamos a consensos sobre um norte a ser perseguido pela humanidade, nos resta agora construir o caminho para este futuro. O fato é que as pessoas já começaram a construí-lo: arquitetos estão trabalhando em prol do desenvolvimento de cidades e prédios mais integrados ao ambiente, pedagogos discutem a pedagogia da terra, turismólogos trabalham em prol de um turismo sustentável, químicos desenvolvem produtos de limpeza não-tóxicos, engenheiros criam inteligentes cata-ventos, geógrafos pensam um melhor relacionamento com espaço, jornalistas debatem o tema com a população, até políticos começam a pensar em políticas verdes. É claro que as contribuições não estão apenas relacionadas às profissões ou organizações. Pessoas do mundo inteiro, de todo tipo, estão contribuindo trocando o detergente por sabão de coco, comprando verduras orgânicas, utilizando a bicicleta como meio de transporte, dando destino correto ao lixo, reduzindo o consumo, etc.

A sustentabilidade é uma idéia-força, é uma proposta alternativa global a ser construída. Sob a referência deste norte, a sustentabilidade é open source e está recebendo a contribuição de muitas pessoas. O mesmo potencial coolaborativo e criativo que está sendo aplicado aos softwares open source poderá ser, no futuro, aplicado à construção deste novo possível relacionamento entre todos os seres vivos.

“Os graves problemas socioambientais e as críticas ao modelo de desenvolvimento foram gerando na sociedade maior consciência ecológica nas últimas décadas. Embora essa consciência não tenha ainda provocada mudanças significativas no modelo econômico e nos rumos das políticas governamentais, algumas experiências concretas apontam para uma crescente sociedade sustentável em marcha.” (Moacir Gadotti em Pedagogia da Terra)

Luli Radfahrer – Palestra “Para que serve um monocotiledônia?” http://videolog.uol.com.br/video.php?id=389425 )

- Júlio Resende -

[IV]

Novo relacionamento pessoas-mundo - national geographic

Um dos grandes desafios da humanidade é construir uma cidadania planetária, uma sociedade global. Para isso, nós, os 6 bilhões de pessoas, precisamos combinar algumas regras de convivência. A construção de um novo relacionamento com o planeta depende desta união, de cooperação e de um possível consenso. Precisamos de uma ética global. A carta da terra é uma proposta, ainda em construção, desta possível ética. Ela contém 16 princípios norteadores para a construção de sociedades sustentáveis.

“A Carta da Terra está concebida como uma declaração de princípios éticos fundamentais e como um roteiro prático de significado duradouro, amplamente compartido por todos os povos [...] A Carta da Terra será utilizada como um código universal de conduta para guiar os povos e as nações na direção de um futuro sustentável” (SECRETARIA INTERNACIONAL DEL PROYECTO CARTA DE LA TIERRA).


A Carta foi escrita por importantes lideranças de todos os continentes do planeta. Nela, temos a presença de dois brasileiros: Leonardo Boff, iluminado filósofo e teólogo, que tem dedicado seu trabalho em prol deste novo projeto da humanidade. E o segundo é o Paulo Freire. A carta o homenageia e reconhece sua dedicação em prol da construção de um mundo mais justo. Certa vez, ele disse: “Quero ser lembrado como alguém que amou os homens, as mulheres, as plantas, os animais, os rios, a Terra”


Há uma forte esperança de que somos capazes de construir um futuro bem melhor do que o presente. Somos, de certa forma, privilegiados, pois podemos ser parte desta importante transição. As gerações futuras poderão nos reconhecer como os precursores de uma grande guinada que a humanidade deu em prol de um saudável relacionamento com o mundo.

“A Carta da Terra parte de uma visão ética integradora e holística. Considera as interdependências entre pobreza, degradação ambiental, injustiça social, conflitos étnicos, paz, democracia, ética e crise espiritual. Ela representa um grito de urgência face às ameaças que pesam sobre a biosfera e sobre o projeto planetário humano e também um libelo em favor da esperança e de um futuro comum da Terra e da humanidade” (LEONARDO BOFF).


A profunda compreensão de suas propostas contribui para que as pessoas caminhem em direção a uma mudança interna e adquiram um novo entendimento sobre a vida. Com base nestes argumentos, ainda em construção, as pessoas tendem a sair da inércia e se movimentar em direção à mudança na forma que se relacionam com seu entorno. Afinal, é preciso reconhecer que a Carta da Terra apenas aponta caminhos para a construção da sustentabilidade. O desafio agora é colocá-la em prática, o que já está acontecendo, mas de forma bem tímida. Ela já tem sido aplicada em empresas, escolas, comunidades, lares, igrejas, etc. Este é um aspecto que precisamos ter a maior atenção: seus 16 princípios precisam ser inventados no contexto de cada pessoa, por cada pessoa.

- O texto da Carta da Terra

- O filme Carta da Terra narrado por Leonardo Boff.

Também é possível conhecer um pouco mais sobre a Carta e suas ações práticas nos sites www.cartadaterrabrasil.org e www.earthcharterinaction.org.

- Júlio Resende -

[ III ]

Terra-maça


De uns quatros séculos para cá criamos uma forma de nos relacionar com nossa casa que tem se mostrado bastante nociva a ela. Em prol dos lucros, do desenvolvimento econômico, das empresas e dos empresários, transformamos a terra em um supermercado gratuito. Nós mineramos, extraímos, cortamos e utilizamos seus recursos em prol deste projeto de sociedade. A terra está ficando cinza e quente. Um grande número de espécies desaparecem a cada dia. Nossos ecossistemas, por sua vez, estão esgotados. Os rios estão sujos, os solos contaminados e o ar poluído. Nossa casa está doente. O aquecimento global é como uma febre em uma pessoa, é um sintoma e uma forma de pedir descanso à sobrecarga.

A sociedade global, por sua vez, não parece estar nada bem. Nossa casa está doente e nós também, afinal ela e nós somos uma coisa só. Vivemos na era da depressão, dos antidepressivos, ansiolíticos. As enormes farmácias das nossas cidades nos indicam que estamos todos doentes. De um certo ponto de vista, o maior hospital da humanidade é o turismo. É comum as pessoas dizerem que trabalham onze meses por ano para tirar um de férias.  Quando em viagem, nos descansamos deste nosso cotidiano que nos deixa doentes. Temos apenas um mês para recuperarmos o equilíbrio que perdemos durante os outros onze meses. Vivemos em um cotidiano de horário extremamente regrado, de muitas contas a pagar, problemas a resolver, relatórios a gerar, filas a enfrentar e o trabalho a acumular.

Estamos desequilibrados e doentes. Para muitas pessoas, como o Leonardo Boff*, não somos (ou estamos) homo sapiens, mas homo demens. De fato, a humanidade está generalizadamente doente. Por causa de nós mesmos, a nossa casa também está desequilibrada e doente. Hoje, temos inúmeros argumentos para compreender que a causa destes problemas é a forma como nos relacionamos com o nosso entorno. A partir do momento em que assumimos este ponto de vista, compreendemos que precisamos buscar um caminho diferente do que o proposto pelos países ricos e pessoas ricas. Por eles, fomos reduzidos a consumidores e recursos humanos, mas somos muito mais do que isso.

“nós somos a Terra, os povos, as plantas e animais, gotas e oceanos, a respiração da floresta e o fluxo do mar [...] Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum” (CARTA DA TERRA).

- Júlio Resende -


[ II ]

No filme HOME, lançado neste ano, são expostos importantes argumentos para a construção da sustentabilidade. Em um primeiro momento, o filme mostra de forma panorâmica o desenvolvimento da vida na terra e trabalha a idéia de como ela é dependente de um sensível equilíbrio entre todos os seres vivos e os solos, a atmosfera, as águas e outros elementos. Em um segundo momento, o filme argumenta que a baixa qualidade para a vida e a enfermidade do planeta é fruto do atual relacionamento entre os seres humanos e seu entorno.

HOME contribui com a construção da sustentabilidade na medida em que expõe estes dois importantes argumentos de forma simples e bonita. Suas imagens são fascinantes.

[Diagnósticos sobre a Vida]

- Júlio Resende –

A bolinha de Gude

[ I ]

Na medida em que aumentamos nosso conhecimento sobre o universo, descobrimos que fazemos parte de um todo muito maior do que imaginávamos. Existem bilhões de galáxias. A nossa, a via láctea, tem 200 bilhões de estrelas, como o nosso sol. Sabemos, portanto, que é bem grande o mundo fora da terra. Com esta nova percepção do universo, compreendemos que não estamos no centro, mas somos apenas uma minúscula parte. Os astronautas, quando retornaram das primeiras viagens ao espaço, nos relataram a fragilidade da terra quando vista de fora. Moramos, na realidade, em uma linda e frágil bolinha de gude azul, rica em diversidade cultural e biodiversidade.

Somos co-habitantes da terra. Nele, vivem também entre 5 e 100 milhões de espécies, cada um com suas peculiaridades. A terra, nossa casa, é o único planeta que conhecemos em que as condições são idéias para a vida. Estas não são apenas simples condições, mas um complexo equilíbrio entre elementos químicos e muitos outros fatores que favorecem a vida.

Nós, pessoas, atualmente, não nos consideramos natureza. Nós estamos aqui e ela está lá. Nós nos percebemos como algo separado do ambiente em que vivemos. No entanto, todos os seres vivos são oriundos da mesma partícula que surgiu logo após o big-bang. Quando um fruto de uma árvore é comido por um passarinho, ele se transforma em passarinho. Este, quando morre, se transforma em adubo, que faz o alface crescer e nos alimentar, se tornando, dessa forma, um pedaço de nós. Somos, todos os seres vivos, interligados e interdependentes. Já fomos uma pedra ou uma foca e, com certeza, seremos ainda uma planta ou um pato. Todos os seres juntos formam este superorganismo vivo que é a terra. O futuro de toda esta diversidade é, portanto, indissociável do próprio futuro do planeta.

[Diagnósticos Sobre a Vida]

- Júlio Resende -